Kailey Smith, uma arquiteta de Chicago, revela como o fluxo de trabalho na arquitetura pode combinar intuição e pragmatismo para gerar projetos mais eficientes e criativos. Ela encontra inspiração no mundo ao seu redor e encara cada projeto como uma oportunidade de aprendizado contínuo, criando um ciclo de observação e aperfeiçoamento. Entrevistamos Kailey para entender como funciona seu processo na prática.
O fluxo de trabalho na arquitetura: observação e praticidade

O processo criativo de Kailey tem suas raízes na observação. Seu interesse pela fotografia moldou a maneira como ela aborda o design, ensinando-a a desacelerar e prestar atenção ao ambiente construído e à forma como ele, discretamente, molda as experiências do dia a dia. Esse hábito de observar com atenção influencia a maneira como ela compreende o espaço, os materiais e o contexto antes mesmo de iniciar qualquer trabalho formal de design. Esse olhar atento é uma base essencial do fluxo de trabalho na arquitetura, permitindo decisões mais consistentes desde o início do projeto.
Quando passa para a fase de design, sua abordagem é intencionalmente pragmática. Nesse momento, as ideias começam no papel vegetal com esboços livres e instintivos, o que ela chama de “rabiscos”. A partir disso, ela explora o máximo possível de variações, permitindo que o trabalho evolua por meio da repetição até que uma direção comece a parecer a certa. Ao longo dessa fase, além disso, ela permanece profundamente concentrada nos detalhes, questionando constantemente por que as coisas funcionam daquela maneira e garantindo que cada ideia possa ser concretizada de forma realista.
Em muitos casos, há um ponto de virada claro nesse processo, quando o projeto começa a tomar forma por meio da escolha dos materiais. Nesse sentido, a seleção das paletas de cores ajuda a traduzir conceitos abstratos em algo tangível, ancorando o projeto na realidade e conferindo-lhe peso arquitetônico.
Além disso, Kailey também se inspira no trabalho de outras pessoas, especialmente em Chicago. Por exemplo, ela cita a arquiteta Jeanne Gang como uma grande influência, admirando o uso que ela faz das formas naturais e a maneira como seus edifícios refletem os tons, o movimento e a fluidez do oceano.

SketchUp: a ferramenta para rapidez e criatividade
O SketchUp é uma parte essencial do fluxo de trabalho inicial e iterativo de Kailey, valorizado por sua rapidez e simplicidade:
- Iteração rápida: Ela descreve o uso do SketchUp como se fosse esboçar no papel, o que lhe permite transformar rapidamente ideias espontâneas em modelos. Essa capacidade de agir com rapidez é essencial para uma iteração rápida.
- Workflow: Kailey costuma criar vários modelos de um projeto — às vezes, cinco versões diferentes —, que ela exporta e analisa novamente, selecionando as melhores partes de cada um para criar a versão final, a “perfeita”.
- Ajuste de teste e zoneamento: O SketchUp é utilizado logo no início da fase de simulação de um projeto para confirmar se o edifício atende aos requisitos de desempenho, incluindo áreas, alturas e zoneamento.

Colaboração e orientação: impulsionando o futuro
O compromisso de Kailey com a colaboração se estende naturalmente à orientação. Assim, ela considera a aprendizagem compartilhada essencial para moldar o futuro da profissão. Há quase sete anos, inclusive, ela orienta alunos do ensino médio em Chicago por meio do Programa de Mentores ACE. Nesse período, trabalha em estreita colaboração com cerca de 30 alunos ao longo de um projeto intensivo de 17 semanas. Dessa forma, a experiência reflete sua convicção de que acesso, orientação e incentivo podem abrir portas desde cedo.
Além disso, um dos principais objetivos do programa é preparar os alunos para o sucesso a longo prazo. Kailey apresenta ferramentas práticas, como técnicas de desenho e softwares de modelagem 3D acessíveis, como o SketchUp. Com isso, proporciona aos alunos uma base inicial no design thinking. Dessa forma, ao desenvolver essas habilidades antes da faculdade, eles ganham confiança e fluência. Consequentemente, obtêm uma vantagem significativa em sua formação.
Por outro lado, a orientação não é unilateral. Kailey também se inspira constantemente nos próprios alunos. Ela destaca suas ideias ousadas, a criatividade sem limites e a ausência de restrições pré-concebidas. Assim, a curiosidade deles serve como um lembrete para manter a mente aberta e a imaginação. Além disso, reforça o valor da orientação como uma troca verdadeiramente mútua.

Um compromisso com a madeira e a sustentabilidade
Kailey trabalha principalmente com edifícios de escritórios de madeira maciça em toda a América do Norte. Seu estúdio defende o uso desse material por várias razões:
- Sustentabilidade: A madeira maciça apresenta uma pegada de carbono menor em comparação com o aço e o concreto, tornando-se uma opção mais sustentável para o setor da construção civil.
- Biofilia: Isso apela ao desejo humano de estar em um ambiente mais natural, o que melhora a experiência no local de trabalho.
- Eficiência: O uso de madeira maciça, como a madeira laminada colada (glulam) ou a madeira laminada cruzada (CLT), permite a pré-fabricação de componentes, o que agiliza a construção.
A trajetória de Kailey — desde que descobriu sua vocação aos sete anos, passando pelo uso do SketchUp em sua primeira grande tarefa como estagiária, até se tornar uma arquiteta com oito anos de experiência — reflete a influência profundamente pessoal e criativa que um projeto exerce sobre o seguinte.
“É uma carreira construída com base na observação, na iteração e no compromisso de inspirar a próxima geração de designers.”
-Kailey Smith, Arquiteto

Leia mais!


