Criar bons prompts no Veras envolve mais do que descrever uma imagem bonita. Para arquitetos, o desafio está em transformar decisões de projeto, materiais, iluminação e atmosfera em instruções que a IA consiga interpretar.
Um pedido genérico, como “casa moderna”, deixa espaço demais para a ferramenta decidir o resultado. Já uma instrução estruturada oferece direção suficiente para que o Veras trabalhe mais próximo da intenção do projeto.
Isso não significa entregar as decisões criativas à inteligência artificial.
O arquiteto conhece o cliente, entende o terreno e desenvolve uma linguagem própria de projeto. A IA não possui esse contexto sozinha. Por isso, seu papel está principalmente em acelerar explorações, testar variações e ajudar a visualizar possibilidades.
Essa relação entre intenção e tecnologia também aparece quando analisamos as aplicações do Veras para arquitetos e designers. A ferramenta ganha valor justamente quando entra no processo como apoio à exploração, e não como substituta da decisão de projeto.
Antes de escrever o prompt, escolha como você quer trabalhar
Não existe apenas uma maneira de conduzir uma exploração com o Veras.
Alguns profissionais preferem construir o resultado aos poucos. Primeiro alteram um conceito geral. Depois refinam a fachada, ajustam a cobertura ou trabalham um detalhe específico.
Nesse fluxo, cada prompt representa uma pequena etapa da evolução da imagem.
Outra possibilidade é começar com um briefing mais completo. Nesse caso, o usuário reúne desde o início as principais restrições, referências visuais e características espaciais.
O Veras recebe mais contexto de uma só vez e produz uma primeira interpretação mais abrangente.
As duas abordagens funcionam. O ponto central é outro: quanto melhor o contexto fornecido antes da geração, maior a capacidade de direcionar o resultado.
O que um bom prompt precisa dizer?
Para organizar esse contexto, o guia da Chaos divide o prompt em três elementos principais:
tarefa, atributos da cena e restrições.
Não é necessário transformar essa estrutura em um formulário rígido. Ela funciona melhor como uma referência para verificar se a intenção realmente chegou ao prompt.
Comece deixando clara a tarefa
A tarefa funciona quase como o título da solicitação.
Em vez de começar com uma descrição longa, determine primeiro o que você espera que o Veras faça.
Verbos como visualizar, aprimorar ou transformar ajudam a estabelecer essa direção.
Também vale manter um objetivo principal por vez. Quando uma única instrução tenta resolver muitas mudanças diferentes, fica mais difícil controlar o resultado.
Depois, construa a cena com informação relevante
É aqui que o prompt começa a traduzir a visão arquitetônica.
O guia original reúne quatro grupos de atributos: componentes, estilo, luz e cor, além da câmera. Todos contribuem simultaneamente para a interpretação da imagem.
Componentes
Descreva aquilo que realmente precisa aparecer.
Isso pode incluir o edifício, o contexto ao redor, materiais, textura da madeira, vegetação, veículos ou pessoas utilizadas como referência de escala.
Quanto mais importante determinado elemento for para a leitura da proposta, mais sentido faz mencioná-lo.
Estilo
O estilo define a linguagem visual da geração.
É possível indicar uma atmosfera desejada, referências editoriais ou características de representação, como uma imagem mais realista.
Esse ponto conversa diretamente com algo que já discutimos no blog: com ferramentas de IA cada vez mais acessíveis, a intenção da representação passa a importar tanto quanto sua qualidade visual.
Luz e cor
A iluminação muda completamente a leitura de uma mesma arquitetura.
Por isso, o prompt pode informar horário do dia, direção da luz, suavidade e temperatura de cor.
Em vez de deixar essas decisões inteiramente abertas à IA, o arquiteto consegue utilizá-las para orientar a atmosfera que deseja comunicar.
Câmera
A câmera também faz parte do projeto da imagem.
O guia recomenda indicar elementos como distância focal e posição da câmera. Uma perspectiva ao nível dos olhos comunica algo diferente de uma vista aérea.
Para imagens arquitetônicas, Farhan Riaz também recomenda solicitar explicitamente linhas verticais retas, evitando distorções de perspectiva indesejadas.
Use restrições para proteger aquilo que não deve mudar
Um prompt não precisa dizer apenas o que a IA deve criar. Ele também pode estabelecer quais características precisam permanecer intactas.
O guia separa essas restrições em dois grupos: afirmativas e negativas.
Primeiro, informe o que deve ser preservado. Por exemplo:
“Mantenha exatamente a silhueta estrutural.”
Depois, podem entrar as exclusões, como:
“Não distorça a geometria nem as linhas estruturais.”
A ordem é importante porque uma instrução positiva oferece uma referência clara antes de estabelecer aquilo que deve ser evitado.
Esse cuidado ganha ainda mais relevância quando o Veras parte de um modelo existente. Afinal, muitas explorações precisam alterar materiais ou atmosfera sem descaracterizar a intenção arquitetônica.
Para entender melhor essa integração, vale conhecer também como usar a IA no fluxo de trabalho de visualização arquitetônica.
Um bom prompt também pode virar uma base reutilizável
Depois de encontrar uma estrutura que funciona bem, não é necessário reconstruí-la em cada tentativa.
Você pode manter uma versão-base e modificar somente os elementos que mudam entre uma exploração e outra.
É justamente daí que surge uma das ideias mais interessantes apresentadas no guia da Chaos: a técnica Swap.
Técnica Swap: altere uma variável sem reescrever tudo
A proposta é simples. Você cria um prompt relativamente completo e identifica as palavras que podem funcionar como variáveis. Depois, troca apenas esses elementos para testar novas direções.
Um material, por exemplo, pode mudar de papelão para espuma ou plástico. A atmosfera pode passar de uma paisagem de primavera para um cenário de inverno ou uma manhã com neblina intensa.
A câmera também pode variar. Uma perspectiva na altura dos olhos pode ser substituída por uma vista aérea ou por um enquadramento muito baixo. A estrutura principal do prompt continua a mesma. O que muda são os componentes responsáveis pela nova exploração.
Crie seu próprio vocabulário de prompts
Com o tempo, essas palavras reutilizáveis podem formar uma biblioteca pessoal.
Materiais frequentes, tipos de iluminação, elementos arquitetônicos, lentes e posições de câmera podem ficar organizados para novas combinações.
Assim, em vez de pensar novamente em toda a construção textual, o profissional consegue concentrar atenção nas variáveis que realmente deseja testar.
Essa lógica combina especialmente com o caráter iterativo da visualização por IA.
Em nosso artigo sobre [cinco aplicações do Veras], por exemplo, mostramos como a ferramenta pode gerar diferentes direções visuais a partir de um conceito ou modelo existente. Uma estrutura de prompt reutilizável torna essa exploração ainda mais organizada.
O objetivo não é deixar a IA decidir o projeto
A parte mais importante do guia talvez não esteja em nenhuma palavra-chave específica.
Está na relação entre o arquiteto e a ferramenta.
Um prompt organizado ajuda o Veras a interpretar melhor uma intenção. No entanto, a decisão sobre o que testar, preservar ou abandonar continua sendo do profissional.
O próprio artigo da Chaos reforça esse ponto: a inteligência artificial não conhece o cliente, não visitou o terreno e não possui a filosofia de projeto de quem está desenvolvendo aquela arquitetura.
Por isso, escrever melhores prompts não significa simplesmente aprender a pedir imagens mais bonitas.
Significa aprender a comunicar uma intenção de projeto com mais clareza para a ferramenta.
Clareza primeiro, geração depois
Um bom fluxo com o Veras começa antes de clicar em gerar.
Definir a tarefa organiza a intenção. Os atributos constroem a cena. As restrições determinam aquilo que precisa permanecer protegido.
Depois disso, técnicas como o Swap permitem explorar diferentes materiais, atmosferas e enquadramentos sem reconstruir todo o prompt.
Quanto mais clara estiver a visão do arquiteto, melhor a IA pode funcionar como ferramenta de exploração.
E talvez esse seja o ponto central: o prompt não substitui uma ideia. Ele ajuda a comunicá-la.





